quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

quieto

olha aqui
ainda estou no mesmo lugar
eu te chamo a toda hora

eu queria ter que poder sair
eu queria não mais me obrigar
mas essa vida me obriga
o mundo me obriga
esta merda sem caráter e sem vigor
eu poderia tocar fogo em tudo
incendiar
acabar com esse lixo 
chorar, rasgar-me, desfigurar-me
deixa quieto
está fedendo

terça-feira, 31 de maio de 2016

duplo

eu não estou aqui e nem queria estar
parece que viajar na janela só piora
eu vejo tudo, mas tudo está tão longe
tem muita resposta, mas nenhuma serve
o tempo está bom apenas para as mudanças
eu insisto em te ver, mesmo que seja de longe
e me atropelo em teus medos
estou ao teu lado, te seguro firme
você consegue centrar, fixar
mas eu sou levado com o vento
pra bem longe daqui
e me perco dentro de mim
isso sempre acontece, mas não percebemos
e depois de tudo isso, o que vem?
como eu queria te viver
como eu queria que você me vivesse

domingo, 28 de fevereiro de 2016

novo

eu continuo sem saber para onde ir
eu já tentei tanta coisa, e elas apenas voaram,
tem um mundo ai fora pra seguir,
mas o que ele espera de mim?
eu já não me aguento mais dentro de minha rotina
eu preciso rasgar meu corpo todo dia
e fico aqui só falando de mim,
mas é porque preciso me despertar do sono
eu tô no meio do começo do fim…
e a partir de hoje começo a me despedir
de tudo e de todos que já vi
porque amanhã, vou dar boas vindas ao meu novo

terça-feira, 15 de abril de 2014

trabalho

tentando uma viagem pelo mundo,
mas ele não me deixa
e me maltrata com as mesmices tardes,
dias insanos e noites corridas
correr ou ler?
copiar ou viajar?
sentado na beira do lago, prometi-me
eu voei por quilômetros
o mundo balançava
minha rede me acorda
eu caio do quarto andar
desperto num sonho
eu nadei pelos ares
e caía no meu lago
e prometia-me
ai mundo, acolhe-me
já me sinto cansado

trabalho...

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

olhares

você vem me ver e eu te olho
enxergo um sorriso verdadeiro,
com seus olhos apertados e sua boca delicada
percebo o quanto estou vivo e o quanto quero viver
renovo meu lar,
refaço meus caminhos,
aqueço meu trabalho
meu espelho fala que estou mais jovem,
mais bonito, mais sereno, mais parceiro
compartilho meus sonhos, meus utópicos desejos
vejo meteoros e encontro lugares quase inexistentes
descubro sons que o mundo ainda me escondia
dou-me permissão para o mágico, o proibido
a leveza das palavras que assustam o mundo
a ludicidade dos encontros que inquieta as ruas
a luz do sol, a luz da lua, a minha luz
e vou construindo meu mundo
vamos construindo nosso mundo
com estes olhares,
estes verdadeiros olhares
esses olhares verdadeiros

quarta-feira, 26 de junho de 2013

cinzas


de medo em medo,
ela costumava sobreviver
de passo em passo,
ela tentava me esquecer
e não era tão fácil
chorava, chuva
sem saber, sem beber
sem conversas, sem olhares
e quando foi bem perto do dia
ela se tranca em si
escondeu seus segredos,
sua vingança
soltou o verbo
escolheu o fogo
gritou as cinzas
ardia em chamas
sem nenhuma suavidade
apenas sussurros
de uma vida castrada, surrada, nojenta, crônica...

 

sexta-feira, 14 de junho de 2013

surto

eu caminho e consigo ver
não, não era como imaginava
do fogo à agua, não importa
os sons são os mesmos, não mudam...
eu queria era cair ali,
e nunca mais me levantar
e você vem me falar de voar,
quando o limite é o chão!
um vulcão ilumina meu céu,
e as dores se engasgam
um grito ecoa na esquina mais próxima,
e alguns sangram até amanhecer
sem saber, sem sabor...
não conseguia dizer adeus
os porcos fediam naquela tarde de terça feira
milhares de homens e mulheres nas ruas
suas garras feriam meu rosto limpo
deixa eu rolar até o penhasco,
estou amarrado e assim não vale
deixa eu ficar aqui,
não consigo ver ou vir mais uma vez
naquele dia o sol queimou minhas nuvens,
e tudo que sobrou foi uma névoa
agora sim, cego, estúpido e louco
por segundos, horas, vida
sem sabor, sem saber...
minhas pernas enraízam, enlouqueço
entrego-me,  porque é mais forte
e nasço de dentro de mim
explodo, pedaços, vários
e domino meu mundo, sou centenas, milhares
colonifico minhas terras
em um surto eterno...

segunda-feira, 13 de maio de 2013

eu


eu
aqui sentado, sem sangue ou prisões
eu,
aqui deitado, sem sono ou ilusões
me deixa quieto, desperto
e caminho para além da varanda
sem controle, mas controlado
eu,
que cai na última guerra
que te pintei quadros
que te arranquei as vísceras
que pus fogo em Roma
eu,
sequestrado por um cometa,
e de lá de cima vejo
onde tudo parece ser muito igual
as luzes são poucas
ah cometa... me leva e me mostra  o que seria inmostrável...
...eu!

quarta-feira, 17 de abril de 2013

letras

olha aqui, minhas letras se movem
e saem deste entranho papel,
folhas sujas e sem vida
minhas letras tomam a liberdade e saem a caminhar,
apenas para te encontrar
em uma viagem alucinógena e transcendental
portais se abrem, completam-se
força, vida, luz, amor, prazer
elas andam entre nossas ruas
e são nossas, nos apossamos,
assim como foi a lua, o sol e as árvores
encontram novidades e decisões
uma estrada certa, num desenho palpável
veja lá, elas flutuam, evoluem
minhas letras param de caminhar, pois criam asas
elas seguem assim, leves,
como você, como eu, como nós
vão colorindo, alfabetizando, pirando a cidade
são seres mágicos,
apenas de olhar, são compreensíveis
e sei que você dorme, pois está tarde,
mas isto não importa para minhas belas letras
elas voam e chegam ai,
penetram em sonhos,
no consciente, no inconsciente, no subconsciente
minhas letras abrem teu sorriso,
mesmo dormindo no meio da madrugada
e incrivelmente depois de tanta viagem,
elas ficam surpresas, impressionadas e felizes
pois já existia um conjunto de eu te amo nestes sonhos



quinta-feira, 4 de abril de 2013

beije


já é tarde, e ainda estamos por aqui,
bebendo do que sobrou
um doce sabor de loucura
uma vida de dons, de sons,
que podem me mover e me fazem pirar
seus beijos brilham e giraram meu mundo,
sem poder nem pensar, mas sincronizados
e mudou minha vida,
minhas verdades e minhas mentiras,
meus sonhos e meus pesadelos
um dia bom, um tempo bom
noites estrelares, tardes solares
chega e me ama
teus carinhos e tuas palavras
tua vida e teus olhares
aqui venta, teus braços esquenta
doses de álcool clareiam minhas nuvens
corpos conectados, abraços sonoros
oh bem, me faz viver!
talvez eu nunca mais reencarne
por isso, me ame como se fosse o fim
não sei onde irei parar
me beije, não sou daqui...

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

outro

foi rápido
em seus olhos, cumplicidade
em abraços, fogo
o belo não está em seu corpo
em seu cabelo, ou em seu rosto
mas em como você me olha
e me conversa
o desejo de fugirmos
nossos sonhos em vermelho
em nossa luta, que canta
e nos faz trabalhar para vivermos
vivermos em nós
e infelizmente, não no outro

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

fogo

ela bateu e eu abri
me visitou por longos meses
longos anos
uma história de me alegrar
de me fazer rir por nada
e em seus sonhos eu pirei
em sua vida viajei
em sua cama eu deitei
das maiores das sensações
ela sempre batia e ganhava
deixava que ele me enfeitiçava
como era repleto, completo
satisfazia minhas dores e doçuras
de gerar, de construir e de crescer
a gente sempre pensa que é pra toda vida
mas pra toda vida é muito tempo
ela se foi, ele com ela
e que possam alegrar mais corações
como foi com o meu
satisfeito e insatisfeito
socialista e egoísta
talvez nunca ela chegará de novo
dele eu já sei
e espero estar pleno
e morrer com o gozo de uma vida vivida
por todos estes laços
me amarro e me afogo
no fogo de um amor...

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

20, 21

ele me traz noticias,
que rasgam minha pele
justamente agora,
quando meus joelhos doem
as flores foram arrancadas
e tudo foi queimado
não poderia ser de outro jeito
chove em minha alma,
mas eu estou aqui
tô de pé,
sentindo o vento
que me visita em segurança
neste dia enfadonho
chega pra cá,
os controles estão comigo
uma festa me espera
um favor que faço
e desligo alguns
minha mente não suportaria
deixo que 20 chorem
e que 21 sorriem
nestes traços de foguetes
que decolam e voam, voam, voam...

domingo, 2 de dezembro de 2012

cartas


já cansei de esperar, mas as vezes não dá
me olho e não vejo,
não é só isso mesmo,
eu teimo e volto pra lá
deixa desenterrar o que há
eu sei o que é
mas você finge não ver
suas cartas não vão enganar
o que seus olhares e toques falam,
nosso silêncio é taquilálico
as estranhezas não são coincidência
foi seu medo que quis assim,
vamos lá... eu sei, mas não falo
me cansa só de pensar,
o que muda é o agora
não seguirei, já quebrei

terça-feira, 9 de outubro de 2012

melhor

o que esperava no alto?
correria... som... o melhor!
muitos de mim, dezenas, agora centenas
que dialogam a persistência da transformação
a dificuldade de ser muitos, iguais e idênticos
eu não consigo me entender,
mesmo em muitos, mas preciso ser eu melhor
como ser muitos me contentando com pouco?
e em caber em mim?
e caber na vida?
é difícil, é tosco, é divertido
e continuo na caminhada comigo,
com meus eu's e meus sorrisos...

terça-feira, 25 de setembro de 2012

primavera

de poder viajar, ou ao menos se instalar em teu corpo
de poder te beber, ou ao menos te lamber, deliciar
de poder te encarar, ou ao menos te tocar, tatear
sigo com amores, flores e essa primavera
cada vez mais florida, cada vez mais amada
e te arranco pétala por pétala
e me envolvo folha por folha
preciso te viver, reencontrar tua vida
momentos de mim, momentos de ti
luzes me enfeitiçam, as mágicas me piram
tudo liquidifica e simplifica
mas essa vida é a que vivo e ela é tão complexa,
que mais cedo ou mais tarde tudo estará perdido

quarta-feira, 30 de maio de 2012

entre_linhas

e incrivelmente traçando por entrelinhas, me vejo no jogo e me jogo de novo, dias passam, memórias folhosas. habito num e noutro, no povo. mas ora bolas, já estava na hora, não está na vez de passar a bola. voltando, aterrisando e viajando. é por esquecer que chego aqui, aos que me esquecem: vinho, caso não, nada disso viria, a não ser a saudade e está chega com vontade de caminhar entre linhas...

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

dormir



já me tiraram o pedaço da minha calçada
a faixa de pedestres virou lenda,
perdi minha liberdade de poder caminhar pelas ruas,
quanta maldade, apenas por não entenderem
por não compreenderem...

não me deixar comer o que eu quero,
muito menos trabalhar onde costumo,
que absurdo estúpido besta
e ficam todos apontando e criticando
a vida não me leva e ela ainda acredita que me engana

bem que eu queria saber por onde todos andam,
mas pode crer, eles estão repetindo as palavras de dezenas de anos no passado
deixe aqui, quieto, pelo visto não preciso dormir

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

ouvidos


cantar com canções que me faz merecer o céu, já não dá
cantar com o chão que coloca o mundo a minha frente, é mais trágico
os olhos só comem o que se paga
conduta errada se apaga
só de abrir os pulmões e saber que os jogos ainda estão ai
a chuva chora a cada hora de caminhar, só para os que creem em mim
grito pra saber se há
grito pra poder amar
se é que se pode gritar
deixa a terra me calar
toma que é pequeno, não dá pra calçar
e meus ouvidos ainda reproduzem

terça-feira, 5 de julho de 2011

bienvenido


precisando migrar
só para poder escutar palavras boas
pode chegar, deliciar, delirar
e eu chego, bato na porta
bienvenido
lá estava ela, a tocar piano
mandou-me fuder com belas notas
sinfonia sensível, som bom aos ouvidos
o que importa é não atrasar,
o som chega na hora
um sol deliciando-se com o lá
tocou a cigarra
e agora eu quem recebia
mando-a à merda?
lamento, volte amanhã
bota um som nisso aqui porra!
não dá pra cantar
mas quanta exigência, não?
eu lamento, lamento de pulmão
dez gansos, é de mais!!!
volta pra casa...

segunda-feira, 6 de junho de 2011

dor


tem dias que não tem muito o que falar,
situações que não se podem explicar,
abraços que derramam lágrimas,
relembrando pequenos encontros,
hoje, nunca esquecidos pela ausência
dias em que o carinho vale mais que um toque,
e que um doce faz uma ligação celestial, transcendental
promessas cumpridas mesmo com a falta,
sorrisos forçados pela dor,
dor de viver, dor de saber, dor de não ver
força companheira!
um dia, em um reencontro, os sonhos voltam a sonhar...

quarta-feira, 20 de abril de 2011

amar




traduzo-me nuns versos que buscam a harmonia,
revivida pelos que me deixam sorrir com uma nota
antecipo e revejo para poder sentir mais
encorajado e cheio de sentimentos
e sempre, sempre uma canção contínua
deixando-me seguir pelos meus lentos movimentos
firmes pela compreensão dos meus trezentos e sessenta
cores soltas em um dia de água
o transparecer de um colorido evidente da realidade imaginária
a magia dizendo-se ser mais fantástica que a fantasia
sem sentido, seis sentidos, impressionantes
abraça e relaxa, é a vida que explode e nos deixa compreendê-la
só é preciso amar, amar e amar...

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

esperança



de esperança ela me olhava
centrada certeira em meus olhos
refletia minha esperança nela
meus desejos de esperá-la
serena, reclamando e sorrindo
as esperanças cruzavam
vida, prazer, liberdade
que a deixem gritar!
e de tanta liberdade e razão
ela voou o mais alto que conseguiu
segurou nossas palavras
demonstrou nossas ações
e seguiu para onde mais quis
para andar entre flores
para rever seus amores
para dormir sem dores
mas deixou a esperança comigo
centrada em meus olhos
viva em minha alma
concreta em meu coração

sábado, 18 de dezembro de 2010

se


onde estão minhas camisetas que comprei na semana passada, naquele lugar tão legal?
e meu dinheiro que saiu correndo com medo do depois daquilo que mudou...
já meus olhos não quiseram ver o que minha cabeça um dia lembraria

é melhor esquecer os “se” e sair por ai, sem medo de acordar e viver
todos estavam a ver um único som que dominava no centro da mata,
e se eu não chorasse o bastante para perceber quem eu sou?
e se nós não tivéssemos algo em comum nada teria acontecido...

mas dou graças pelas semelhanças e estes formosos encontros da vida
lembrar de cada um por lá, deixa-me irritado, bem pra baixo, que terrível!
e nos recriamos, como um sonho que já queria terminar, para poder aproveitar o que ficou...

sábado, 11 de dezembro de 2010

triste


deixe-me ir, você não precisa de mim
já me levou uma parte contigo
meu medo e insegurança agora livres
os ares respiram incapacidade,
deixe-me com meus amigos
eles choram um fim precavisto
e criam dez partes de uma mesma história
com finais distintos, mas todos tristes
de volta ao pó, no meio do nada
de volta a vida, no fim da estrada
paz ex irmão, para poder seguir
na dura caminhada de terror, horror, pavor

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

cabeça


eu no teu lugar ficaria calado
apenas esperava a seiva cair no chão,
mas logo viria uma vida e mais outra
e deixaria tudo mais nublado
é camarada, não dá para criar
tudo já está certo e criado
basta apenas lembrar e ativar a memória
pois tua cabeça já possui as informações
só precisa passar pelo inevitável
para saber quem vai e quem fica.

domingo, 30 de maio de 2010

volta


tente correr, rápido, rápido
está na hora de chegar
arregala teus olhos
a luz está forte, tente concentrar-se
uma confusão maravilhosa
tudo em um dia
em apenas um dia
alguns não queriam ver,
saíram gritando, era muito pra estes
uma única voz alta,
as outras se anulavam, mas ecoavam
tiros de palavras ameaçadoras
líquidos derramados mancharam meu punho
eu não podia, eu não poderia
uma lonjura infinita ao meu lado
dentes de leite tagarelavam
bebedeira no alto do êxtase
e só precisa crer em seus pés
para estar de volta

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

jardim


não poder gritar,
assumir as flores
difícil regar este jardim
que só floresce para ganhar raios do sol
esquece de quem cuida,
de quem quer ser cuidado
pensaram em seus espinhos mais abaixo
só que eram tão altos quanto seus muros
vidraça aprisionaria,
mas daria uma transparência necessária
devorado por carnívoras
tentando entender em seus estômagos
todo o processo digestivo
e sair como adubo
para fecundá-lo
e recriá-lo...

domingo, 13 de dezembro de 2009

real


cabeça no quadro, quadrado
um e três se somam
é pouco pra tanto cinco
os dias foram se acostumando
uma mente cansada
um livro que não chega a lugar nenhum
mas abrirá inúmeras portas
e um sai, outro sai e tudo
cada minuto é quinze
os olhos vêem o que deveria estar quieto
o real se acaba em dois goles d’água
descia as escadas e lá estava o sol
o do sempre,
mas nunca era o mesmo...

sábado, 19 de setembro de 2009

céu


caminho e é céu
tão simples e tão belo
azul e branco
imenso
e só de olhar, lembrar
deixe-me entender,
até onde?
apenas branco e azul
flutuo
sem teto, sem ponte
enxergo seu mundo
mais de perto
horizonte
deixe-me sentar,
conversar
sonhar teu azul
sonhar teu branco

quinta-feira, 30 de julho de 2009

ternura


tempos de ventos distantes
que não fazem questão de acender
tempos de mentes gritantes
que não colocam uma flor para vender

sincronia em teu andar
a valsa dançada nas esquinas
a banda vibrante esperando um ônibus passar
e sentir um conforto num olhar

a ternura que sorri em teus lábios
milhares de olhos, cuidado!
e no fim nossos sonhos
e a verdade casada

quinta-feira, 4 de junho de 2009

cores


cantar em cores a verdade
quando o preto e branco só traziam vaidade,
já corria de bicicleta pelas rodovias
suavidade praticada pelos risos...só risos,
a música solta em chaminés
e a conversa musicada pela fogueira
queimava os muros, tudo ficava mais fácil
a dança cantava os encantos do seu dia
esperar era tão belo quanto seus olhos
e a vida em paz perseguia seus contornos
uma ceia, um muro branco e cores para deduzi-lo
a lua olhava por toda noite,
mas não falava nada...
apenas sorria

sábado, 2 de maio de 2009

lembrar


é bom ter cuidado...
os quartos estão em movimento,
as ruas ainda a observar,
mas a maioria dos olhos são ateus

e o que vem de dentro ninguém pode tirar
outros costumam negar,
e se assim, as pedras só reproduzem
o suor de um trabalho lapidoso

voar parece ser tão fácil
para quem costuma sorrir com o vento da manhã,
mas as pedras acordam sempre no jantar
e ao deitar flutuo em teu sonho

não apenas para lembrar,
mas para viver a intensidade de agora
e a liberdade de amanhã

terça-feira, 21 de abril de 2009

leve


abre os sonhos, corrige teus olhos
cachorros ainda nadam em mares vermelhos
e milhares de bolas coloridas num flutuar
mas na sala apenas uma mesa de jantar

eu já não sei quem é homem ou quem é mulher
eu já não sei quem são os animais
às vezes eu tento compreender
mas o espelho não me deixa ver
o que tem logo atrás

a vida é forte, insegura e friorenta
minha mochila é de pano
e em segundos ela arrebenta
eu corro entre os becos
pulo todo muro
mas o destino não agüenta

e até voar o mais alto do quadro
derramando os tecidos sobre as canetas
basta de tanta terra, é pesado meu fardo
mas minha vida fica leve quando te tenho ao meu lado

sexta-feira, 10 de abril de 2009

estrada


a estrada me deixa perdido, são muitos caminhos,
muitas pedras, espinhos
alguém pedi para tomar um atalho
mas talvez seja mais arriscado,
são muitos medos compactados que ela trás
e, além disso, faz o favor de me deixar cansado
chove...
os abrigos são muitos, centenas
talvez seja até melhor seguir em novena esta caminhada,
alguns são tão perigosos de um importante cuidado
assim como aquelas trilhas pequenas
que na maioria das vezes me colocam em contra mão
e para não ter-me como abandonado
a única razão é segurar em tua mão
que me acalenta e conforta
e ser guiado até o fim, até o infinito
construindo os passos desta cruzada
seguindo o que está escrito lá dentro de mim,
dentro da minha estrada

domingo, 5 de abril de 2009

ruas


de verde em verde minha verdade sai de casa
e encontra um paraíso de palavras
perdido entre as ruas massacradas e mascaradas
num baile de carnaval desencontrado em um outubro aprisionado
o amarelo que chega à janela já não é o mesmo
a chuva pediu para estiar, pois já não agüentava mais chorar
e milhares de olhos brotam das ervas daninhas
mas os meus só olham para você
e para a terra a qual preciso afagar e criar novas visões
invenções não param de gastar,
a vida dela apenas cria outras vidas compradas em vitrines
-é camarada, não se anime!
os gritos de luta só se escutam em rounds televisionados
a cabeça pesada de dor e de horror
a cabeça leve de amor e de calor
o tempo vive num equilíbrio, numa dinamicidade,
numa caixa de feijoada industrializada pela tua coragem
e o que fica são apenas imagens de uma janela
brusca, bruta, que fecha as portas para a liberdade

terça-feira, 31 de março de 2009

samba


é um samba de subir ladeira
um sonho para a noite inteira
é um bloco de sair na rua
brincando dessa brincadeira

saudosa lua, onde estas meu bem?
enche a cara, esta noite é farra e vem
a praia é rara, a areia é clara e tua
a vida é curta, mas o amanhã continua...

é um jogo de capoeira
segura a saia da mulher rendeira
é ter cuidado com a falcatrua
a realidade vive em roubalheira

saudoso tempo, onde estas meu bem?
perderam teu rumo e ficaste no além
o mundo é um, a verdade é crua e nua
a vida é curta, mas o amanhã continua...

domingo, 29 de março de 2009

saudade


de tempo em tempo o tempo trai
obriga a chorar por ter enganado
uma angústia que engasga, aperta
longa viagem entre estradas cortantes
aflição pisada por guitarras
e a saudade que parte deixa uma parte

a lembrança é vivida em ruas
pedaços de papéis tem então significado
vasculhar o lixo pode ser interessante
e a espera constrói poemas,
constrói razões e emoções,
o dia, a noite e a vida que me constrói...

sexta-feira, 27 de março de 2009

percepção


de olhos abertos para o sorrido da noite
de boca aberta para o doce das estrelas
o gato pula cada telhado e flutua em meus tapetes
pontes reconstroem minhas memórias
finalidades objetivadas para criar um início
cada lugar por onde passo mostra seu tempo
e cada tempo segue mostrando o seu lugar

vitórias recheadas de desafios desfilavam nas ruas
trazendo balões e rifles atentos as necessidades
palavras jogadas ao ar, conexão com a vida
e uma vida vivida sem conexão com as palavras
amanhã já é outro dia, mas sem perceber
tudo vai se repetir...e pedir...

quarta-feira, 25 de março de 2009

árvore


deixa voar os números
o sorvete ainda é de cajá
guardou-se por debaixo de um pano
o verde corria para atravessar
um mundo interrompido por máquinas
e sirenes a alarmar

em tua imensa sombra repouso
observado cada fração de movimento ao redor
transformações incalculadas
são surpresas muitas vezes incompreensíveis

em tua imensa sombra repouso
e devido esta imensidão
já tenho de saudades a tua copa
sempre presente e visível

em tua imensa sombra repouso
e o que se passa por sombrio
é desmentido por este som
que recebo de tua imensa sombra

deixa correr as argilas
o suco ainda é de ameixa
bailou-se por cima da lona
o azul parou para as nuvens passar
um mundo conhecido por pássaros
e cantos a melodiar

segunda-feira, 9 de março de 2009

espelho


caminhos de cantos soletrados ao vento
fizeram-me perceber o eco que vinha de lá,
um local donde apenas imagens irreais transfiguravam
as realidades virtuais que compõem minha vida cá
e criou-se um mundo onde deixava de ser coadjuvante,
sempre aparecia em primeira cena, principal de qualquer romance
conversar qualquer diálogo com minha mesa, meu quadro, meu eu
poder observar e criar virtualidades reais que avancem
paredes azuis numa tranqüila tarde sonolenta
traduzida pelo cheiro da fumaça do incenso de canela
que recriava formas e alimentava novas vidas
iluminando o canto do quarto, minha porta e janela
permitir um bate-boca do meu eu ali e aqui
sem deixar ser levado, maltratado ou tachado por louco
morar por lá, uma história, um verão, um segundo
respeitar meus sonhos e a felicidade por um pouco
e conseqüentemente um mundo vasto, ampliado
pedindo para ser vivido e servido
uma fraternidade plena sonhada e acordada
num psicodelismo por muitos incompreendido

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

fotografia


amanhecer com um sorriso dormido de felicidade
olhar o tempo parado no último segundo da música
e reescutar a vida traduzida na brisa do mar dos sonhos
com um céu firme apontando uma estrela na imensidade
é verdade!
é verdade!
gritou o jornaleiro sobre a última notícia registrada
e milhares de formigas dançaram sobre as folhas
o som da vida, a vida em som, festa em todas as esquinas
a fotografia nos muros grafitados de uma realidade
o urbano manifestado pela mais barata tranqüilidade
de noites chuvosas e pensamentos drogados em alegria,
das árvores mais velhas brotaram bailarinas
e toda a rua foi se observando, delirava,
até encontrar o momento da verdadeira harmonia
o fim para muitos, mas o começo para quem amava

verdade


não consegui entender aquela frase
não consegui acompanhar o último trem
seguir a estrada parecia até mais difícil
construir a tarde foi impossível, meu bem

não consegui entender aquela flor
e muito menos quem a beijava
não consegui voltar pra casa
um raciocínio trancado, viajava...

nem uma cadeira tem um significado
ela fala, fala, mas nunca se entende
acho que a loucura está se aproximando
a verdade é que o mundo não me compreende

sábado, 21 de fevereiro de 2009

pretoebranco


de minuto em minuto os passos eram guiados,
mas tormentas interromperam as verdades
quadrados tomavam os lugares dos círculos
um sufoco que amassava os mitos

e tantos foram os enforcados
que o tempo fez o favor de ressuscitá-los,
comparando relógios a um preço
que o mundo não tinha condições de pagar

minhas feridas apenas crescem
como a nostalgia do amanhã,
sorrisos e lembranças se respondem,
o pretoebranco reflorescem

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

rubínico


desde o início, a viela decidiu dobrar na primeira esquina,
atravessar no sinal amarelo era um objetivo
tendo como causa a felicidades deste,
pois ele sempre tinha pouco tempo de vida

mas ao encontrar a primeira placa,
milhares de ratos estavam reunidos em uma única decisão:

que não iam mais habitar os locais podres e fétidos
que a humanidade tinha reservado para eles!

sábado, 14 de fevereiro de 2009

medo


no meio do fogo
leões defendiam a covardia
e todos ficavam parados
apenas esperando os leões queimarem

no meio do fogo
leões defendiam a covardia
era motivo para retaguarda
era tempo de fraqueza

no meio do fogo
leões defendiam a covardia
e o covarde apenas em olhar
preso em suas próprias leis

no meio do fogo
leões defendiam a covardia
avançar não era justificável,
assim,
saíram-se de heróis,
embora
leões defendiam a covardia
no meio do fogo

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

retirar


as tropas foram atingidas
pedaços de vidro por todos os lados
terrenos encharcados
verdades escondidas
retirar-se!
não pela covardia,
mas pelo risco de afogar-se
em suas próprias águas
o que era um mar num dia
em outro, nem nome tinha
o vazio vazava em todas as vias
e os vidros em afasia

abismo


milhares de lágrimas estavam a passear
cada uma com seu som
em plena desarmonia com os raios solares

num momento oportuno
a bateria transforma o dia
milhares de sorrisos invertem meus ouvidos
e só de olhar...alegria...

palavras acompanharam a verdade
muitos corriam em uma mesma direção
em busca do ponto mais alto

talvez de volta no abismo da felicidade
é só um pulo para cair no mar da euforia
é só uma vida para reviver
é só outro mundo para se sonhar

sábado, 7 de fevereiro de 2009

tempo


eu não sei viver
apenas acompanho os ponteiros do relógio,
pois é assim que sobrevivo

não adianta mais chorar
olhe que horas já são
o meu tempo só me diz que estou errado
mas a verdade é que eu te queria aqui

olho para o relógio
isto não me traz alegria
tem tempos que o tempo está assim

a memória desperta
já está na hora de deitar-se
o relógio bate mais forte
uma sinfonia melancólica

domingo, 1 de fevereiro de 2009

vento III


o voar chegou em meu sangue
uma leve face de sofrimento
mascarada pelo sorriso da incompreensão da vida ao lado, a qual segura meu controle remoto

e quando pensei que o vôo seria alto
pediu para ficar sempre como uma foto:
presente, parado e vigiando as horas que só faziam mentir naquele salto

sentir os olhares me parecia um terremoto,
mas era mais fácil que a chegada do seu trem
foi atirar-se do planalto
com as vooenzimas desemoglobinadas
e perder-se no tempo de maçãs
saborosas e em dobro de aguçadas
o pomar cheio, e meu corpo maduro caia em mares das mais fortes batidas
de uma música em sintonia
da transmissão de nossos axônios
das noites sem sono
de um medíocre dia
de um momento onde consegui ver o que tem além de palavras, de tato, visão, olfato, audição ou paladar, do doce toque do pé no gramado dos sonhos,
do vento que nos une com suas partículas inenxergáveis, mas que é capaz de desviar de todas as barreiras para que nossos corpos estejam sempre juntos.

sábado, 31 de janeiro de 2009

momentos


as canções fazem parte da noite
agora posso dobrar em qualquer esquina,
mas apenas cantar uma por vez
os olhos dançam, adrenalina...
segue-se deixando, recebendo e dando tatos
o mundo decidiu que a partir da meia noite
o amor substituiria a cocaína
e até as incertezas viviam suas glórias
passando bem longe do abstrato
felicidades iluminavam todas as sombras
a chuva não apenas contribuía para história,
pois juntava em abrigos corpos perdidos na neblina
por vezes perdemos uma ligação
nestes momentos em que pensamos serem exatos

domingo, 25 de janeiro de 2009

desencontros


agitação, choques, intensidade
a sanidade se descontrai
risos forçados e chorados
a verdade nos olhares

constrói o mundo em que acredita
mas caiu na esquina mais próxima
foi tão burro quanto a casa em que vive
e acha que vai derrotá-lo se escondendo

presa em promessas da noite anterior
com desejos acima do império
com toques vigiados e controlados
e um medo de sentir-se humana

a vizinha enlouquece sempre
e busca informações vespertinas
pretendendo ter controle, mas nunca segui-las
apenas chora por ter vivido um outro mundo

sempre escreve sobre saudades
permaneceu um silêncio desconfortável
com medo, deixou apenas o mar falar
ficando eles no topo da pedra

mas enquanto tudo se desencontra
pequenos ainda sem chance de acreditar
numa vida sem cor, sem valor e sem dor
um mundo onde só quem pode dizer como é difícil para lê-lo, tentar vivê-lo e sonhá-lo serão eles.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

quebracabeça



o tiro da sacanagem foi dado
as promessas escorriam pelas ruas
as casas não paravam de olhar
ventos inconstantes passavam naquele cenário
até o momento em que um senhor enrugado
saiu de seu crânio e lhe disse: -calma!

o tiro da descoberta foi dado
caíram ele e o mundo todo
nem o vento conseguiu passar desta vez
apenas imagens passadas e cartas queimadas
até o momento em que um senhor maçãninforme
saiu de seu tórax e lhe disse: - calma!

- é a hora de reencarnar em seu próprio corpo
de desviar rotas, de trocar a caixa dos correios
as folhas podem até voltar para as árvores
mas as unhas continuam nos dedos
esta é a hora de cantar mais alto
e encontrar a cura dos medos!

domingo, 18 de janeiro de 2009

mundo


o sobe e desce foi para nada
o relógio parecia apavorar
o silêncio do lado de fora era outro
pensava que o coração poderia esperar
assim fica fácil culpar os tijolos
por você não ter em quem arremessá-los
mas antes, eu preferia um abraço de chegada
e uma tela de boas vindas


foi dado para ser vivido
foi negado para ser planejado
foi destruído por ter enganado
foi triste por não ter amado
o tempo apaga,
as lembranças se escondem,
os olhares cruzam,
mas o que é verdadeiro é para sempre

morte


quando percebi,
não estava mais percebendo
...

sábado, 17 de janeiro de 2009

tempestade


e estando prestes a adentrar por outros mares
a tempestade anterior volta com mais sabor
com mais coragem e saudade para derrubar
a pequena e frágil barca das emoções

a novidade foi enviada pela nostalgia
jogar neste mar salgado sem meu guia
é perder-se em oceanos de poesia,
acreditar naquelas ilhas e em ilusões

não sei se basta ou se vasta, se afoga ou se refoga
mas de um minuto para outro
milhares de ilhas apareceram
e iniciaram as abolições

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

descubra-se!


ficou calado por anos
preso por decreto, lívido
certo dia livrou-se dos livros
e procurou suas origens

tantos pontos para serem ligados
tantas raízes a serem seguidas
e uma única e longa conversa
pois era a maior árvore que viu em vida

recriou contos, reanimou tontos
e a maior surpresa já estava lá
bem no dia seguinte
quando seu café chegou, sem açúcar

está na hora de sentir e se sentir
descubra-se!
transforme o mundo!

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

liberte-se!


há tantos centavos pelo chão
há tantas migalhas na cesta de pão
e por conta deles, ele conseguiu a cadeira
mas acredito que tenha sido por sua cara de madeira

dessa maneira decretou: sem rimas!
por conta deste os outros ficaram assim
secos e encapsulados,
mas seguem com a cabeça erguida
livres para não passar do chão
livres para não compreender a terra
livres para não conversar com as árvores
livres para não pisar na grama,
mas poder gastar seu verde
na mais linda blusa verde dos vidros
e assim poder reesverdear
o mais verde azedo do limão

está na hora de sentir e se sentir
liberte-se!
transforme o mundo!

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

cuidado


não precisa nem dizer,
pode deixar que eu abro a porta
assim vejo entrar mais vida ao amanhecer
e os olhos aos serviços de quem aborta

diariamente a eternidade é construída
é só compreender a lateralidade
foi difícil o enquadramento para as feridas
mas o som despertou a suja realidade

rápido, gritem em coros, desaforos
mas com muito cuidado, outros dormem
tenho medo de desesperos e choros
e que as travessias deformem

sempre tão longe, mas os olhos continuam fixos
nem queria assim, tentei até outras cabeças
a robotização de dias em pensamentos prefixos
e sempre cuidando para que umedeça

domingo, 28 de dezembro de 2008

2


você me deu apenas dois minutos
para eu falar tudo que eu tinha
para eu justificar nossas vidas
para eu conseguir reconquistar a sua

foi pouco tempo por tudo que já fiz
pelas madrugadas que passei acordado
pelas tardes que passamos na praia
pelos dias felizes em tua companhia

mas eu sempre te dei mais que isso
dei horas, dias, semanas, meses e anos
dei meu mundo, meus olhos, meus sonhos
dei o céu, o mar e peixes para habitá-lo

foram muito mais que dois minutos
foram mais de dois mil beijos
mais de duas mil noites vividas
mais de dois milhões de segundos ao teu lado

será que temos um fim?
eu sempre pensei que você acabava em mim
e que eu acabava em você
mas dois passos nos separam

e o que parece ser tão curto
torna-se mais curto com esta tarde chuvosa
onde duas mil gotas de chuva
regam a árvore da aflição

duplas raízes envenenam meus ouvidos
até poderia achar ser uma alucinação
mas esses olhares são bem reais
sem teto, sem sementes, sem exatidão.

a praça enganou quem passava
os frutos saíram em viagem
raízes continuam me consumindo
e destroem todo meu chão

um dia sem graça, de graça e sem vida
um mundo escuro numa dupla escuridão
minhas caminhadas cansadas persistem
nas ruelas da mágica sem nenhuma ilusão

dois minutos estão em curta temporada
dois minutos é meu tempo fúnebre
dois minutos é teu tempo sagrado
dois minutos...

mas se os queres tanto assim
podes ficar com esses dois minutos
não me importo mais com eles
afinal... já os gastei...

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

hoje


tem que correr pra não sofrer
gritar desesperado em baixo de um sinal vermelho
e olhar, olhar bastante até incomodar
os passos estão tão alinhados que o sorriso deixa o medo de lado

quadrados reticulados se dobram na primeira esquina
redondos entorpecem e retornam de onde partiram
tremores divertem quem mais se esconde da chuva
a música cantarolada enfeitiça toda gurizada

os dentes saltam e conferem o que tem depois do muro
é melhor voltar, não tem cão nem cachorro
a placa manda seguir para baixo do bueiro
mas o cheiro é doutro se encontra outro noutro

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

madrugada


e só de escutar
elas começam a cair e caminhar
ligeiros sorrisos
durante um tédio infernal

numa madrugada calma,
mas qual delas não é?
por isso que sempre me apaixono durante a madrugada...

domingo, 21 de dezembro de 2008

chegadas


não precisa mais chegar por aqui
a vida agora é outra
o telefone voltou a tocar
novos sorrisos chegaram com o som

está tudo tão verde e vermelho
poderia ter deixado estas passagens de lado
mas não importa mais
tudo começou a se explicar

na verdade...
acho que não...