domingo, 13 de dezembro de 2009

real


cabeça no quadro, quadrado
um e três se somam
é pouco pra tanto cinco
os dias foram se acostumando
uma mente cansada
um livro que não chega a lugar nenhum
mas abrirá inúmeras portas
e um sai, outro sai e tudo
cada minuto é quinze
os olhos vêem o que deveria estar quieto
o real se acaba em dois goles d’água
descia as escadas e lá estava o sol
o do sempre,
mas nunca era o mesmo...

sábado, 19 de setembro de 2009

céu


caminho e é céu
tão simples e tão belo
azul e branco
imenso
e só de olhar, lembrar
deixe-me entender,
até onde?
apenas branco e azul
flutuo
sem teto, sem ponte
enxergo seu mundo
mais de perto
horizonte
deixe-me sentar,
conversar
sonhar teu azul
sonhar teu branco

quinta-feira, 30 de julho de 2009

ternura


tempos de ventos distantes
que não fazem questão de acender
tempos de mentes gritantes
que não colocam uma flor para vender

sincronia em teu andar
a valsa dançada nas esquinas
a banda vibrante esperando um ônibus passar
e sentir um conforto num olhar

a ternura que sorri em teus lábios
milhares de olhos, cuidado!
e no fim nossos sonhos
e a verdade casada

quinta-feira, 4 de junho de 2009

cores


cantar em cores a verdade
quando o preto e branco só traziam vaidade,
já corria de bicicleta pelas rodovias
suavidade praticada pelos risos...só risos,
a música solta em chaminés
e a conversa musicada pela fogueira
queimava os muros, tudo ficava mais fácil
a dança cantava os encantos do seu dia
esperar era tão belo quanto seus olhos
e a vida em paz perseguia seus contornos
uma ceia, um muro branco e cores para deduzi-lo
a lua olhava por toda noite,
mas não falava nada...
apenas sorria

sábado, 2 de maio de 2009

lembrar


é bom ter cuidado...
os quartos estão em movimento,
as ruas ainda a observar,
mas a maioria dos olhos são ateus

e o que vem de dentro ninguém pode tirar
outros costumam negar,
e se assim, as pedras só reproduzem
o suor de um trabalho lapidoso

voar parece ser tão fácil
para quem costuma sorrir com o vento da manhã,
mas as pedras acordam sempre no jantar
e ao deitar flutuo em teu sonho

não apenas para lembrar,
mas para viver a intensidade de agora
e a liberdade de amanhã

terça-feira, 21 de abril de 2009

leve


abre os sonhos, corrige teus olhos
cachorros ainda nadam em mares vermelhos
e milhares de bolas coloridas num flutuar
mas na sala apenas uma mesa de jantar

eu já não sei quem é homem ou quem é mulher
eu já não sei quem são os animais
às vezes eu tento compreender
mas o espelho não me deixa ver
o que tem logo atrás

a vida é forte, insegura e friorenta
minha mochila é de pano
e em segundos ela arrebenta
eu corro entre os becos
pulo todo muro
mas o destino não agüenta

e até voar o mais alto do quadro
derramando os tecidos sobre as canetas
basta de tanta terra, é pesado meu fardo
mas minha vida fica leve quando te tenho ao meu lado

sexta-feira, 10 de abril de 2009

estrada


a estrada me deixa perdido, são muitos caminhos,
muitas pedras, espinhos
alguém pedi para tomar um atalho
mas talvez seja mais arriscado,
são muitos medos compactados que ela trás
e, além disso, faz o favor de me deixar cansado
chove...
os abrigos são muitos, centenas
talvez seja até melhor seguir em novena esta caminhada,
alguns são tão perigosos de um importante cuidado
assim como aquelas trilhas pequenas
que na maioria das vezes me colocam em contra mão
e para não ter-me como abandonado
a única razão é segurar em tua mão
que me acalenta e conforta
e ser guiado até o fim, até o infinito
construindo os passos desta cruzada
seguindo o que está escrito lá dentro de mim,
dentro da minha estrada

domingo, 5 de abril de 2009

ruas


de verde em verde minha verdade sai de casa
e encontra um paraíso de palavras
perdido entre as ruas massacradas e mascaradas
num baile de carnaval desencontrado em um outubro aprisionado
o amarelo que chega à janela já não é o mesmo
a chuva pediu para estiar, pois já não agüentava mais chorar
e milhares de olhos brotam das ervas daninhas
mas os meus só olham para você
e para a terra a qual preciso afagar e criar novas visões
invenções não param de gastar,
a vida dela apenas cria outras vidas compradas em vitrines
-é camarada, não se anime!
os gritos de luta só se escutam em rounds televisionados
a cabeça pesada de dor e de horror
a cabeça leve de amor e de calor
o tempo vive num equilíbrio, numa dinamicidade,
numa caixa de feijoada industrializada pela tua coragem
e o que fica são apenas imagens de uma janela
brusca, bruta, que fecha as portas para a liberdade

terça-feira, 31 de março de 2009

samba


é um samba de subir ladeira
um sonho para a noite inteira
é um bloco de sair na rua
brincando dessa brincadeira

saudosa lua, onde estas meu bem?
enche a cara, esta noite é farra e vem
a praia é rara, a areia é clara e tua
a vida é curta, mas o amanhã continua...

é um jogo de capoeira
segura a saia da mulher rendeira
é ter cuidado com a falcatrua
a realidade vive em roubalheira

saudoso tempo, onde estas meu bem?
perderam teu rumo e ficaste no além
o mundo é um, a verdade é crua e nua
a vida é curta, mas o amanhã continua...

domingo, 29 de março de 2009

saudade


de tempo em tempo o tempo trai
obriga a chorar por ter enganado
uma angústia que engasga, aperta
longa viagem entre estradas cortantes
aflição pisada por guitarras
e a saudade que parte deixa uma parte

a lembrança é vivida em ruas
pedaços de papéis tem então significado
vasculhar o lixo pode ser interessante
e a espera constrói poemas,
constrói razões e emoções,
o dia, a noite e a vida que me constrói...

sexta-feira, 27 de março de 2009

percepção


de olhos abertos para o sorrido da noite
de boca aberta para o doce das estrelas
o gato pula cada telhado e flutua em meus tapetes
pontes reconstroem minhas memórias
finalidades objetivadas para criar um início
cada lugar por onde passo mostra seu tempo
e cada tempo segue mostrando o seu lugar

vitórias recheadas de desafios desfilavam nas ruas
trazendo balões e rifles atentos as necessidades
palavras jogadas ao ar, conexão com a vida
e uma vida vivida sem conexão com as palavras
amanhã já é outro dia, mas sem perceber
tudo vai se repetir...e pedir...

quarta-feira, 25 de março de 2009

árvore


deixa voar os números
o sorvete ainda é de cajá
guardou-se por debaixo de um pano
o verde corria para atravessar
um mundo interrompido por máquinas
e sirenes a alarmar

em tua imensa sombra repouso
observado cada fração de movimento ao redor
transformações incalculadas
são surpresas muitas vezes incompreensíveis

em tua imensa sombra repouso
e devido esta imensidão
já tenho de saudades a tua copa
sempre presente e visível

em tua imensa sombra repouso
e o que se passa por sombrio
é desmentido por este som
que recebo de tua imensa sombra

deixa correr as argilas
o suco ainda é de ameixa
bailou-se por cima da lona
o azul parou para as nuvens passar
um mundo conhecido por pássaros
e cantos a melodiar

segunda-feira, 9 de março de 2009

espelho


caminhos de cantos soletrados ao vento
fizeram-me perceber o eco que vinha de lá,
um local donde apenas imagens irreais transfiguravam
as realidades virtuais que compõem minha vida cá
e criou-se um mundo onde deixava de ser coadjuvante,
sempre aparecia em primeira cena, principal de qualquer romance
conversar qualquer diálogo com minha mesa, meu quadro, meu eu
poder observar e criar virtualidades reais que avancem
paredes azuis numa tranqüila tarde sonolenta
traduzida pelo cheiro da fumaça do incenso de canela
que recriava formas e alimentava novas vidas
iluminando o canto do quarto, minha porta e janela
permitir um bate-boca do meu eu ali e aqui
sem deixar ser levado, maltratado ou tachado por louco
morar por lá, uma história, um verão, um segundo
respeitar meus sonhos e a felicidade por um pouco
e conseqüentemente um mundo vasto, ampliado
pedindo para ser vivido e servido
uma fraternidade plena sonhada e acordada
num psicodelismo por muitos incompreendido

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

fotografia


amanhecer com um sorriso dormido de felicidade
olhar o tempo parado no último segundo da música
e reescutar a vida traduzida na brisa do mar dos sonhos
com um céu firme apontando uma estrela na imensidade
é verdade!
é verdade!
gritou o jornaleiro sobre a última notícia registrada
e milhares de formigas dançaram sobre as folhas
o som da vida, a vida em som, festa em todas as esquinas
a fotografia nos muros grafitados de uma realidade
o urbano manifestado pela mais barata tranqüilidade
de noites chuvosas e pensamentos drogados em alegria,
das árvores mais velhas brotaram bailarinas
e toda a rua foi se observando, delirava,
até encontrar o momento da verdadeira harmonia
o fim para muitos, mas o começo para quem amava

verdade


não consegui entender aquela frase
não consegui acompanhar o último trem
seguir a estrada parecia até mais difícil
construir a tarde foi impossível, meu bem

não consegui entender aquela flor
e muito menos quem a beijava
não consegui voltar pra casa
um raciocínio trancado, viajava...

nem uma cadeira tem um significado
ela fala, fala, mas nunca se entende
acho que a loucura está se aproximando
a verdade é que o mundo não me compreende

sábado, 21 de fevereiro de 2009

pretoebranco


de minuto em minuto os passos eram guiados,
mas tormentas interromperam as verdades
quadrados tomavam os lugares dos círculos
um sufoco que amassava os mitos

e tantos foram os enforcados
que o tempo fez o favor de ressuscitá-los,
comparando relógios a um preço
que o mundo não tinha condições de pagar

minhas feridas apenas crescem
como a nostalgia do amanhã,
sorrisos e lembranças se respondem,
o pretoebranco reflorescem

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

rubínico


desde o início, a viela decidiu dobrar na primeira esquina,
atravessar no sinal amarelo era um objetivo
tendo como causa a felicidades deste,
pois ele sempre tinha pouco tempo de vida

mas ao encontrar a primeira placa,
milhares de ratos estavam reunidos em uma única decisão:

que não iam mais habitar os locais podres e fétidos
que a humanidade tinha reservado para eles!

sábado, 14 de fevereiro de 2009

medo


no meio do fogo
leões defendiam a covardia
e todos ficavam parados
apenas esperando os leões queimarem

no meio do fogo
leões defendiam a covardia
era motivo para retaguarda
era tempo de fraqueza

no meio do fogo
leões defendiam a covardia
e o covarde apenas em olhar
preso em suas próprias leis

no meio do fogo
leões defendiam a covardia
avançar não era justificável,
assim,
saíram-se de heróis,
embora
leões defendiam a covardia
no meio do fogo

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

retirar


as tropas foram atingidas
pedaços de vidro por todos os lados
terrenos encharcados
verdades escondidas
retirar-se!
não pela covardia,
mas pelo risco de afogar-se
em suas próprias águas
o que era um mar num dia
em outro, nem nome tinha
o vazio vazava em todas as vias
e os vidros em afasia

abismo


milhares de lágrimas estavam a passear
cada uma com seu som
em plena desarmonia com os raios solares

num momento oportuno
a bateria transforma o dia
milhares de sorrisos invertem meus ouvidos
e só de olhar...alegria...

palavras acompanharam a verdade
muitos corriam em uma mesma direção
em busca do ponto mais alto

talvez de volta no abismo da felicidade
é só um pulo para cair no mar da euforia
é só uma vida para reviver
é só outro mundo para se sonhar

sábado, 7 de fevereiro de 2009

tempo


eu não sei viver
apenas acompanho os ponteiros do relógio,
pois é assim que sobrevivo

não adianta mais chorar
olhe que horas já são
o meu tempo só me diz que estou errado
mas a verdade é que eu te queria aqui

olho para o relógio
isto não me traz alegria
tem tempos que o tempo está assim

a memória desperta
já está na hora de deitar-se
o relógio bate mais forte
uma sinfonia melancólica

domingo, 1 de fevereiro de 2009

vento III


o voar chegou em meu sangue
uma leve face de sofrimento
mascarada pelo sorriso da incompreensão da vida ao lado, a qual segura meu controle remoto

e quando pensei que o vôo seria alto
pediu para ficar sempre como uma foto:
presente, parado e vigiando as horas que só faziam mentir naquele salto

sentir os olhares me parecia um terremoto,
mas era mais fácil que a chegada do seu trem
foi atirar-se do planalto
com as vooenzimas desemoglobinadas
e perder-se no tempo de maçãs
saborosas e em dobro de aguçadas
o pomar cheio, e meu corpo maduro caia em mares das mais fortes batidas
de uma música em sintonia
da transmissão de nossos axônios
das noites sem sono
de um medíocre dia
de um momento onde consegui ver o que tem além de palavras, de tato, visão, olfato, audição ou paladar, do doce toque do pé no gramado dos sonhos,
do vento que nos une com suas partículas inenxergáveis, mas que é capaz de desviar de todas as barreiras para que nossos corpos estejam sempre juntos.

sábado, 31 de janeiro de 2009

momentos


as canções fazem parte da noite
agora posso dobrar em qualquer esquina,
mas apenas cantar uma por vez
os olhos dançam, adrenalina...
segue-se deixando, recebendo e dando tatos
o mundo decidiu que a partir da meia noite
o amor substituiria a cocaína
e até as incertezas viviam suas glórias
passando bem longe do abstrato
felicidades iluminavam todas as sombras
a chuva não apenas contribuía para história,
pois juntava em abrigos corpos perdidos na neblina
por vezes perdemos uma ligação
nestes momentos em que pensamos serem exatos

domingo, 25 de janeiro de 2009

desencontros


agitação, choques, intensidade
a sanidade se descontrai
risos forçados e chorados
a verdade nos olhares

constrói o mundo em que acredita
mas caiu na esquina mais próxima
foi tão burro quanto a casa em que vive
e acha que vai derrotá-lo se escondendo

presa em promessas da noite anterior
com desejos acima do império
com toques vigiados e controlados
e um medo de sentir-se humana

a vizinha enlouquece sempre
e busca informações vespertinas
pretendendo ter controle, mas nunca segui-las
apenas chora por ter vivido um outro mundo

sempre escreve sobre saudades
permaneceu um silêncio desconfortável
com medo, deixou apenas o mar falar
ficando eles no topo da pedra

mas enquanto tudo se desencontra
pequenos ainda sem chance de acreditar
numa vida sem cor, sem valor e sem dor
um mundo onde só quem pode dizer como é difícil para lê-lo, tentar vivê-lo e sonhá-lo serão eles.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

quebracabeça



o tiro da sacanagem foi dado
as promessas escorriam pelas ruas
as casas não paravam de olhar
ventos inconstantes passavam naquele cenário
até o momento em que um senhor enrugado
saiu de seu crânio e lhe disse: -calma!

o tiro da descoberta foi dado
caíram ele e o mundo todo
nem o vento conseguiu passar desta vez
apenas imagens passadas e cartas queimadas
até o momento em que um senhor maçãninforme
saiu de seu tórax e lhe disse: - calma!

- é a hora de reencarnar em seu próprio corpo
de desviar rotas, de trocar a caixa dos correios
as folhas podem até voltar para as árvores
mas as unhas continuam nos dedos
esta é a hora de cantar mais alto
e encontrar a cura dos medos!

domingo, 18 de janeiro de 2009

mundo


o sobe e desce foi para nada
o relógio parecia apavorar
o silêncio do lado de fora era outro
pensava que o coração poderia esperar
assim fica fácil culpar os tijolos
por você não ter em quem arremessá-los
mas antes, eu preferia um abraço de chegada
e uma tela de boas vindas


foi dado para ser vivido
foi negado para ser planejado
foi destruído por ter enganado
foi triste por não ter amado
o tempo apaga,
as lembranças se escondem,
os olhares cruzam,
mas o que é verdadeiro é para sempre

morte


quando percebi,
não estava mais percebendo
...

sábado, 17 de janeiro de 2009

tempestade


e estando prestes a adentrar por outros mares
a tempestade anterior volta com mais sabor
com mais coragem e saudade para derrubar
a pequena e frágil barca das emoções

a novidade foi enviada pela nostalgia
jogar neste mar salgado sem meu guia
é perder-se em oceanos de poesia,
acreditar naquelas ilhas e em ilusões

não sei se basta ou se vasta, se afoga ou se refoga
mas de um minuto para outro
milhares de ilhas apareceram
e iniciaram as abolições

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

descubra-se!


ficou calado por anos
preso por decreto, lívido
certo dia livrou-se dos livros
e procurou suas origens

tantos pontos para serem ligados
tantas raízes a serem seguidas
e uma única e longa conversa
pois era a maior árvore que viu em vida

recriou contos, reanimou tontos
e a maior surpresa já estava lá
bem no dia seguinte
quando seu café chegou, sem açúcar

está na hora de sentir e se sentir
descubra-se!
transforme o mundo!

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

liberte-se!


há tantos centavos pelo chão
há tantas migalhas na cesta de pão
e por conta deles, ele conseguiu a cadeira
mas acredito que tenha sido por sua cara de madeira

dessa maneira decretou: sem rimas!
por conta deste os outros ficaram assim
secos e encapsulados,
mas seguem com a cabeça erguida
livres para não passar do chão
livres para não compreender a terra
livres para não conversar com as árvores
livres para não pisar na grama,
mas poder gastar seu verde
na mais linda blusa verde dos vidros
e assim poder reesverdear
o mais verde azedo do limão

está na hora de sentir e se sentir
liberte-se!
transforme o mundo!

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

cuidado


não precisa nem dizer,
pode deixar que eu abro a porta
assim vejo entrar mais vida ao amanhecer
e os olhos aos serviços de quem aborta

diariamente a eternidade é construída
é só compreender a lateralidade
foi difícil o enquadramento para as feridas
mas o som despertou a suja realidade

rápido, gritem em coros, desaforos
mas com muito cuidado, outros dormem
tenho medo de desesperos e choros
e que as travessias deformem

sempre tão longe, mas os olhos continuam fixos
nem queria assim, tentei até outras cabeças
a robotização de dias em pensamentos prefixos
e sempre cuidando para que umedeça

domingo, 28 de dezembro de 2008

2


você me deu apenas dois minutos
para eu falar tudo que eu tinha
para eu justificar nossas vidas
para eu conseguir reconquistar a sua

foi pouco tempo por tudo que já fiz
pelas madrugadas que passei acordado
pelas tardes que passamos na praia
pelos dias felizes em tua companhia

mas eu sempre te dei mais que isso
dei horas, dias, semanas, meses e anos
dei meu mundo, meus olhos, meus sonhos
dei o céu, o mar e peixes para habitá-lo

foram muito mais que dois minutos
foram mais de dois mil beijos
mais de duas mil noites vividas
mais de dois milhões de segundos ao teu lado

será que temos um fim?
eu sempre pensei que você acabava em mim
e que eu acabava em você
mas dois passos nos separam

e o que parece ser tão curto
torna-se mais curto com esta tarde chuvosa
onde duas mil gotas de chuva
regam a árvore da aflição

duplas raízes envenenam meus ouvidos
até poderia achar ser uma alucinação
mas esses olhares são bem reais
sem teto, sem sementes, sem exatidão.

a praça enganou quem passava
os frutos saíram em viagem
raízes continuam me consumindo
e destroem todo meu chão

um dia sem graça, de graça e sem vida
um mundo escuro numa dupla escuridão
minhas caminhadas cansadas persistem
nas ruelas da mágica sem nenhuma ilusão

dois minutos estão em curta temporada
dois minutos é meu tempo fúnebre
dois minutos é teu tempo sagrado
dois minutos...

mas se os queres tanto assim
podes ficar com esses dois minutos
não me importo mais com eles
afinal... já os gastei...

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

hoje


tem que correr pra não sofrer
gritar desesperado em baixo de um sinal vermelho
e olhar, olhar bastante até incomodar
os passos estão tão alinhados que o sorriso deixa o medo de lado

quadrados reticulados se dobram na primeira esquina
redondos entorpecem e retornam de onde partiram
tremores divertem quem mais se esconde da chuva
a música cantarolada enfeitiça toda gurizada

os dentes saltam e conferem o que tem depois do muro
é melhor voltar, não tem cão nem cachorro
a placa manda seguir para baixo do bueiro
mas o cheiro é doutro se encontra outro noutro

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

madrugada


e só de escutar
elas começam a cair e caminhar
ligeiros sorrisos
durante um tédio infernal

numa madrugada calma,
mas qual delas não é?
por isso que sempre me apaixono durante a madrugada...

domingo, 21 de dezembro de 2008

chegadas


não precisa mais chegar por aqui
a vida agora é outra
o telefone voltou a tocar
novos sorrisos chegaram com o som

está tudo tão verde e vermelho
poderia ter deixado estas passagens de lado
mas não importa mais
tudo começou a se explicar

na verdade...
acho que não...

domingo, 30 de novembro de 2008

cerveja




numa noite vazia, sem nexos e anexos
sem mais ou menos, nem mais, nem menos
saio em sua procura
mas o que acho? uma cerveja

bem gelada para uma noite quente
grande para me encontrar
muitas para te rever
nem se for ao pensamento, ao vento, ao sonhar

o céu agora mais feliz
com o gosto do trigo especial
que desce e maltrata quem já estava deprimido
e sigo sonhando sempre contigo...

domingo, 16 de novembro de 2008

confuso


não consigo acompanhar
é muito tranqüilo
preciso de momentos intensos
pra minha vida sobrecósmica

poucos dias em x, poucos dias em y
e na interseção de cadeiras e mesas
meu café esfria com o tempo,
com o vento, com a órbita

chocalhos, chás, batidas
é preciso guardar de um em um
uma disse assim, mas pra outra tanto faz
deixe-me ir, não agüento mais...

sábado, 15 de novembro de 2008

tédio




o tédio voltou a cair do meu céu
meu teto desmoronou
as árvores se contorceram
loucos pelos becos espalham aflição

há braços desesperados por aconchego
precisei correr para construir o meu sossego
gritos de sonhos engasgam até o meu estômago
que a todo tempo está em busca de olhares

para me tirar dessa azia e acabar esta confusão
que queima o mundo
descontrola cabeças
e cria coragem de dizer não!

sábado, 8 de novembro de 2008

vento II


seguro o vento
e a vida ainda voa...

nada de novo
denovo...

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

vento


ela não consegue parar de gritar em meus ouvidos
a outra roda, roda, no redemoinho de ventos constantes,
vacas ambulantes e uma velha a pedalar
minha casa foi pro espaço, foi pirar
segue uma calmaria, e por que tantos gritos
se a suave voz desta boca me excita e alucina?

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

espera


na espera de ventos
que soprem sobre o teatro
e transforme em vinho
o que vai além do barco

de caminhos engatinhados
por cabeças pensantes
sem peso, sem medo
esperando confiante

a se livrar de palavras
corretas e consentidas
aceitando aquelas sem sentido
e que agucem meus sentidos

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

mais


no momento em viver a intensidão da noite
na busca do guia da imensidão do céu
de dores passadas que trazem sorrisos e lembranças
de uma viagem na interiorização dos meus sentimentos
na territorialização das vagas artérias a serem preenchidas
por mais vidas, por mais lutas e por dias mais sinceros

sábado, 11 de outubro de 2008

cidade


difícil é ver os três is que possuo
fácil perceber o som
pior é conjugá-lo à noite
com tantos ratos e baratas

era um trevo ontem
agora estou numa encruzilhada
a vida aqui cresce
como aquela velha granada
que implodiu meus pulmões
e sem destino, sem ações
retorno a caminhar
nos becos e veias carbonizadas
nas ruelas e morros adormecidos
nos sonhos e mentes colonizadas
onde o vento morre ao despertar
e a vida segue sem enfadar

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

zunir


não me confunda
apenas quero enfileirar os tijolos
janelear o sol
tetear as estrelas, curtir a lua

e na melodia de setenta
purificar os pensamentos
alucinar a realidade
redescobrir movimentos

está ficando destorcido
vários sons em vários ouvidos
zunidos, zumbidos
e aquela velha gargalhada...

domingo, 28 de setembro de 2008

busca


boto maior fé no mundo
mas esqueço de por esta fé em mim
amanhã vai existir
mas não sei como....

ligado e desligado
sorrindo e amargurado
e daí vou seguindo, vou partir
em busca daquele cromossomo

terça-feira, 23 de setembro de 2008

esperança


a gente sempre tenta
a gente sempre acredita
a gente sempre planeja
mas quando menos espera
a pedra começa a crescer...

mas ainda fico por aqui
acreditando no óbvio
relendo toda a claridade
da lua cheia
e dos teus olhos...

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

caminhante


eu nem queria acreditar
o vôo foi tão alto
que nem conseguia enxergar
e foi muito disso
e sem querer disse:
ainda está bem baixo
sempre é o que acho
e sempre quero me achar
perdido no espaço, no tempo
encontrando-me onde saí
contradizendo minhas contradições
caminhando em minha pele
e os meus dedos apontando sempre ali...

sábado, 30 de agosto de 2008

som


e espalhou-se no ar
belo como as loucuras
que passam agora em minha mente
cansada de andar em busca da tua
entre as mesmas ruas e vielas

num tom sobre os bons
dobra as esquinas e enfeitiça as praças
simples, suave e sereno
vai chegando cada vez mais perto
chama para dançar, sapatear

fecho os olhos e viajo
em teu mundo, piruetas, pular
dois vão, mas sempre voltam
chegadas, partidas, saudades
o equilíbrio no teu sincronizar

o sorriso abre, os olhos sorriem
os pés a flutuar, as mãos mexem
e cada fio do teu cabelo a dançar
a música da vida, o abraço apertado
os sonhos que me enlouquecem...

terça-feira, 26 de agosto de 2008

extensão


é uma ciranda, um colar

a vida a se alegrar

um momento

onde todos se sentem

e não vai ficar ninguém ausente

vamos construir, rodar e

sempre recriar novos caminhos,

pois não existe fim, e sim

está sempre começando

e em círculo vamos dançando

rediscobrindo novos sons,

cheiros, sabores, tatos e visualizando

o mundo que nos cerca

e de certeza só tenho que vou

viver, sonhar e amar...

sábado, 23 de agosto de 2008

viajar


encontrar um momento para partir
que seja agora e nesta hora
já se passaram das dezoito
e não quero esperar até as oito
pra poder chegar até ai
cansado e esgotado
não apenas de não ser escutado
mas de ser escanteado

bem, está na hora de ir
seguir por aquelas trilhas
dos sonhos e das magias
escutar a suavidade das cores
e ver a luminosidade dos sons
deixar fluir e querer acreditar
no amanhã dos tons
e de tudo o que desejar

domingo, 13 de julho de 2008

maluco


muitos destes dias foram de segundos

não consigo pensar o quanto me sumiu

vendo muitos passados e esquecendo o presente

e criar uma melodia fica ainda mais difícil


viver em cima das unhas

mastigar os dentes

isso é o que torna a realidade normal


são pedaços de ovelhas e de céu

o grito agora é inevitável

recordações que estão além da saudade

e é só escutar para poder sentir o quanto foi bom


defecar o intestino delgado

olhar meu hemisfério esquerdo

isso é o que torna a realidade normal

sexta-feira, 30 de maio de 2008

noite


Escreva aqui o seu sonho para amanhã:
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O sol ainda vai nascer
E tenho tempo para buscar o teu mundo
Balas, saudades, flores, sorrisos...
Pode pedir
Tenho a madrugada inteira
Para buscar tua felicidade
Tenho muitos segundos
E digo que tenho mais que os meus minutos
Estou disponível para esta noite
Basta você querer e desejar
Amanhã trarei teu sonho
Embalado em minha caixa de fósforos

quinta-feira, 15 de maio de 2008

dias...


muito do que se passa no dia

serve para testar

o teste vai desde nossas decisões

até os nossos olhares


é tão difícil decidir

se é melhor aquele pão ao bolo

quanto difícil é saber

pra onde devo guiar meus olhos

(na maioria das vezes sei que são nos teus)


mas o objetivo desta conversa

não é sobre essas decisões

e muito menos sobre os pães, bolos

olhares e teus olhos


o diálogo é sobre os dias

e o que eles representam

só hoje percebi que não existem dias bons

e muito menos dias ruins


os dias são testes

teste de paciência

teste de convivência

teste de sobrevivência


eles servem para mostrar

como devo seguir amanhã

qual escada subir e descer

e qual o melhor tijolo

que posso colocar nesta estrada


hoje foi um dia chamado antes de ruim

e felizmente o som chegou em minha cabeça

não mais, não poderia me enganar

as pontes traçaram as luzes


amanhã já sei o que fazer

e tudo por conta do hoje

tudo se transformou em hoje

e no fim do dia o rosto brilha

pelo branco do sorriso

e pela lágrima dos olhos


-tá vendo aquela estrela?


terça-feira, 13 de maio de 2008

coração


vou contar uma história
que ocorreu lá no sertão
tinha uma moça, uma dona
que se chamava coração

usava uma flor na cabeça
que floreava o seu vestido
e toda flor que caia
apanhava e guardava comigo

mas a moça, essa dona
não queria nem saber
queria apenas ver o mar
igual o que viu na tv

certo dia ela se foi
se encontar com seu amor
e seus sonhos e os meus
ficaram apenas em flor

coração
viu o mar
se afogou
e morreu de paixão...

sábado, 10 de maio de 2008

viagem


segui a luz, e era muita

muitas luzes, estava tudo rápido

a estrada estava apressada

só os olhos conseguiram sobreviver


imagens sem seguimentos

fotografia que passava

movia, mas lá sempre parada

sem final, a final não teria começado


e quando veio o início

células não conseguiram transmitir

na verdade nem captaram

e já tinha passado uma hora


e foi nesse momento que vi e previ
parte dos sonhos, parte da vida

nem consegui acreditar

as sandálias estavam no ar

sábado, 3 de maio de 2008

caminho


às vezes os pés precisam escrever no lugar do coração

os olhos fotografam movimentos

os ouvidos escutam teus sentimentos

as mãos tocam a vida

mas só os pés é quem sentem o caminho


muitas vezes o descalçar dos pés

ajudam a mostrar a vida

ajudam a perceber como anda nossas cabeças

só os pés descalços é quem vai mostrar

toda a involução humana


só os pés descalços é quem sente a praia

só no descalçar é que sentimos a cachoeira

só assim sentimos o mundo

entramos em contato com a terra

nos ligamos a terra, seremos frutos dela


a energia é maior

a firmeza é grande

o coração bate mais forte

o corpo é ativado

e só basta colocar os pés no chão

sexta-feira, 2 de maio de 2008

perdeu



perdeu a confiança
perdeu o amor
perdeu uma flor que um dia
perdeu-se no mar
agora só se sonhar



perdeu o doce
perdeu não apenas um
mas mil amigos
se nunca fosse
não perderia o momento
perdeu o fogo, o mar
a terra e o vento



perdeu de caminhar
seja na praia
no monte e até na feira
perdeu a casa, o quarto
o fogão e a geladeira



perdeu a volta, perdeu a ida
perdeu seus sonhos
perdeu a vida...

quarta-feira, 30 de abril de 2008

começou...


tudo foi queimado...
todas minhas páginas
mercúrio queimou

o dia passou rápido, assim como o ano.
mercúrio ao mesmo tempo que percorre sua órbita em volta do sol,
ele dá a volta em torno de si mesmo.
lá um dia é igual a um ano

as relações são mais passageiras
as promessas são demoradas
ela prometeu ficar comigo por seis anos
não demorou nem uma semana...

e de próximo ao sol
tenho que escrever aqui
essas são as únicas páginas que consigo trabalhar
já tentaram fabricar diversos tipos de papel
o de maior durabilidade foi o b4
demorava quatro longos anos

mas é isso
estarei observando
sempre observando
e no momento que conseguir
agirei,
antes que você pense em fazê-lo
antes que sua cabeça pense em realizá-lo
antes que seus olhos se abram
e daí já estará feito

mas te chamarei
ajuda é necessário
precisamos terminar...